Contabilidade em argila: das fichas e bulas às tabuletas numéricas (c. 3400–3200 a.C., Uruk e Susa)
c. 3400–3200 a.C., segundo a sequência que Englund (2001) adota de Schmandt-Besserat; datas convencionais, que o texto não declara calibradas · Mesopotâmia e Levante, Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo a sequência que Englund (2001) toma de Schmandt-Besserat, a contabilidade em argila de Uruk e de Susa passou por etapas: fichas geométricas de argila até c. 3400 a.C.; fichas fechadas em envelopes de argila (bulas) selados com cilindro, c. 3400–3300; tabuletas com sinais numéricos impressos, c. 3300–3200; e, por volta de 3200, tabuletas com números e um ou dois ideogramas. Englund ressalva que a estratigrafia de Susa foi muito perturbada pelas escavações antigas e que a de Uruk apenas não contradiz o esquema; as datas e a ordem das fases estão em debate.
As etapas, segundo Englund
Englund divide os precursores da escrita em Uruk e em Susa em cinco momentos, aceitando provisoriamente o esquema de Schmandt-Besserat. Antes de c. 3400 a.C., fichas geométricas de argila registravam entregas simples, sobretudo de grãos e de produtos animais. Entre c. 3400 e 3300, as mesmas fichas, com algumas diferenciações, eram fechadas em envelopes de argila (bulas) cobertos por impressões de selo cilíndrico. De c. 3300 a 3250 aparecem tabuletas planas ou arredondadas, seladas ou não, marcadas com as fichas ou com estiletes talhados para imitá-las; de c. 3250 a 3200, tabuletas retangulares com números impressos por estilete; e por volta de 3200, tabuletas "numero-ideográficas", com números e um ou dois ideogramas que nomeiam o objeto da transação. (Englund)
O que as tabuletas contavam
Segundo Englund, os ideogramas das tabuletas numero-ideográficas nomeiam os objetos da transação, entre eles ovinos e caprinos e os produtos derivados deles, sobretudo têxteis e óleos de laticínios. Os sinais numéricos formam vários sistemas, usados conforme o que se conta: um para grãos e objetos ligados ao sistema de rações, outro para medidas de área, outro para capacidade. Englund registra que, por muito tempo, os assiriólogos leram o sistema de grãos como decimal; o matemático sueco Jöran Friberg mostrou, em 1978-1979, que nele um sinal valia seis, e não dez, do sinal menor. (Englund)
Uruk e Susa lado a lado
Englund observa que Susa e Uruk têm desenvolvimentos tão paralelos que se pode perguntar quem influenciava quem, e que no período em que partilharam traços materiais os mais marcantes foram o uso comum de selos e o desenvolvimento da escrita como ferramenta administrativa. Em Susa, as tabuletas numéricas coincidem, segundo exames franceses recentes à data de Englund, com o recuo da influência babilônica sobre a Pérsia e a Síria por volta de 3200 a.C. Para ele, isso marca o momento do último contato direto entre Uruk (nível IVa) e Susa. (Englund)
Fontes
- Englund, Robert K. "The State of Decipherment of Proto-Elamite". Berlim: Max-Planck-Institut für Wissenschaftsgeschichte, Preprint 183, 2001 (versão de 21 ago. 2001, para publicação em S. Houston, org., The First Writing, Cambridge University Press). https://mpiwg-berlin.mpg.de/sites/default/files/migrated/p183.pdf Acessar
Na mesma região
- Eanna de Uruk e a "economia sagrada" de Inana: religião, trabalho e poder num só sistema, segundo Potts c. 3400 a.C. (segundo Potts 2021, para os textos arcaicos de Eanna; data não identificada como calibrada)
- Tesouro de Nahal Mishmar: metalurgia de cera perdida e ligas complexas no Levante (c. 3500 a.C.) c. 3500 a.C. (final do Calcolítico), segundo a página da BAS e a ficha da Universidade de Michigan; datação não declarada como calibrada
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- Kushim nome lido em tabuleta de Uruk III, c. 3200–3000 a.C. (datação do CDLI); nascimento e morte desconhecidos
- Tigelas de borda chanfrada do período Uruk: produção em série em molde portátil (c. 3600–3000 a.C.) c. 3600–3000 a.C. (Uruk Médio e Recente, segundo Montero Fenollós e Sanjurjo Sánchez 2021); datas de carvão de Tell Humeida, calibradas pelos autores: 3780–3640 e 3660–3520 a.C. cal.
- Código de Hamurabi reinado de Hamurabi, 1792–1750 a.C. (Museu do Louvre, ficha Sb 8)