Atlas da História

Expansão de Uruk (segunda metade do IV milênio a.C.): colônias, rede de trocas ou emulação local

segunda metade do IV milênio a.C., c. 3500-3000 a.C. (formulação de Frangipane; as fases Uruk Médio e Tardo e as datas absolutas variam entre autores e não foram lidas em tabela) · Mesopotâmia e Levante, Anatólia e Cáucaso, Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Na segunda metade do IV milênio a.C., materiais e formas de organização do sul mesopotâmico (a "cultura de Uruk") aparecem em sítios do Eufrates sírio, do sudeste da Turquia e do Irã ocidental. Segundo Frangipane (2000), houve colônias no Eufrates médio sírio, entre elas Habuba Kabira e Jebel Aruda, e presenças menos maciças mais ao norte. Se isso foi colonização, comércio com enclaves ou emulação por elites locais é um debate: o modelo de Guillermo Algaze, de império informal econômico, foi questionado ao longo das décadas, como resume Baldi (2022).

Onde se vê a presença de Uruk

Frangipane (2000) descreve a expansão do Uruk Médio e Tardio por toda a Alta Mesopotâmia até o Tauro, com colônias no Eufrates médio sírio (Sheikh Hassan, Habuba Kabira, Jebel Aruda) e presenças menos maciças, mas reconhecíveis, no Eufrates turco ao sul das montanhas (Hacınebi, Samsat, Hassek Höyük). As regiões ao norte do Tauro teriam sido menos tocadas pela transformação "à moda de Uruk" da cultura local. Faraji Cheshme-Zangi e colegas (2022) acrescentam o Irã central, o Zagros e o sudoeste iraniano à lista de regiões onde aparecem traços de Uruk. (Frangipane 2000; Faraji Cheshme-Zangi et al. 2022)

O quadro de Algaze e o teste pela arquitetura

Faraji Cheshme-Zangi e colegas (2022) expõem o quadro de Algaze como um império informal econômico, com comércio de longa distância como categoria principal da difusão, e perguntam até que ponto a arquitetura indica influência de Uruk. Concluem que a planta tripartida, os nichos decorativos e os cones de argila, junto com selos cilíndricos e cerâmica de bordas chanfradas, marcam sítios sob influência plena; onde essas marcas faltam, como em Godin Tepe, vê-se uma estação comercial. Para eles, as populações locais também moldaram a arquitetura. (Faraji Cheshme-Zangi et al. 2022)

Local ou importado? A pergunta sobre Susa

Na resenha do livro de Le Brun sobre a Acrópole I de Susa (níveis 21 a 18, Uruk Médio), Baldi (2022) nota que essas casas modestas se parecem com o que se achou em Habuba Kabira e destoam da monumentalidade do bairro de Eanna, em Uruk. A pergunta de hoje, segundo ele, não é só se a tradição de Uruk em Susiana foi evolução local ou recepção de modelos externos, mas qual foi o papel de Susa no corredor transtigriano e do Zagros, entre Luristão, bacia do Hamrin e Curdistão iraquiano, e como esse eixo se compara ao do Eufrates. (Baldi 2022)

Um fenômeno em reavaliação

Baldi (2022) descreve a historiografia como uma sucessão de paradigmas e prevê que a imagem pode mudar de novo com a retomada das escavações em grandes sítios do sul mesopotâmico de ocupação extensa no IV milênio. Frangipane (2000) argumenta, a partir de Arslantepe, que as sociedades da "Greater Mesopotamia" uniformizaram traços essenciais de organização econômica e social ao longo do V e do IV milênio, criando laços profundos, mas não homogeneidade cultural. A pergunta aberta é quanto da semelhança vem de contato direto e quanto de uma história compartilhada. (Baldi 2022; Frangipane 2000)

Fontes

  1. Baldi, J. S. (2022). Alain Le Brun (with the contribution of Naomi F. Miller), Suse. Sondage stratigraphique de l'Acropole I couches 21 à 18 (campagnes 1977-1979) [resenha]. Paléorient, 47(2): 109-111. DOI 10.4000/paleorient.1340 (https://journals.openedition.org/paleorient/1340), consultado em out. 2026. Acessar
  2. Frangipane, M. (2000). Origini ed evoluzione del sistema centralizzato ad Arslantepe: dal "tempio" al "palazzo" nel IV millennio a.C. Isimu, 3: 53-78. DOI 10.15366/isimu2000.3.001 (PDF em https://revistas.uam.es/isimu/article/download/3613/3855/7142), consultado em out. 2026. Acessar
  3. Faraji Cheshme-Zangi, H.; Mortazavi, M.; Mosapour-Negari, F. (2022). Evaluation of New Diffusion in Architecture of Uruk Sites. Pazhoheshha-ye Bastan Shenasi Iran (Archaeological Researches of Iran), 12(34): 61-86. DOI 10.22084/NB.2021.23963.2323 (https://journals.basu.ac.ir/article_4934_731af64ef1f36fb11971eb7de1c2e183.pdf), consultado em out. 2026. Acessar

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