Tesouro de Nahal Mishmar: metalurgia de cera perdida e ligas complexas no Levante (c. 3500 a.C.)
c. 3500 a.C. (final do Calcolítico), segundo a página da BAS e a ficha da Universidade de Michigan; datação não declarada como calibrada · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 1961, numa caverna sobre o Nahal Mishmar, no deserto da Judeia, Pesach Bar-Adon e sua equipe acharam mais de 400 objetos, a maioria de cobre, do fim do Calcolítico, enrolados numa esteira de junco. Segundo a BAS, até as peças mais elaboradas, como uma coroa com aves, foram fundidas em peça única pela técnica da cera perdida. Shalev e Northover (1993) reanalisaram as ligas e viram sobretudo cobre com arsênio e antimônio, com até 20% de liga, e a origem e o uso do conjunto seguem em debate.
O achado e o conjunto
A BAS conta que Pesach Bar-Adon e sua equipe, procurando cavernas em ravinas secas perto de Qumran, depois do primeiro rolo do Mar Morto (1947), acharam numa caverna remota sobre o Nahal Mishmar mais de 400 objetos de culto, a maioria de cobre, com um pouco de marfim e de hematita, enrolados numa esteira de junco, do fim do Calcolítico. Shalev e Northover situam o achado em 1961. O conjunto inclui uma coroa de cobre com aves e elementos arquitetônicos, mais de 240 cabeças de maça, cerca de 80 estandartes e um cetro com cabeça humana, hoje no Museu de Israel, segundo a BAS. (Dewsnap; Shalev)
A técnica da cera perdida
A ficha de Michigan explica o processo: a cera era esculpida na forma da peça, envolvida em argila e queimada, o que derretia a cera e endurecia a argila; o cobre fundido era então vertido na forma. Segundo a BAS, mesmo as peças mais ornadas, como a coroa, foram fundidas numa só peça por esse método, em que o cobre fundido substitui a cera num molde que depois é retirado. Os dois textos tratam a técnica como evidência da sofisticação do trabalho dos ferreiros calcolíticos. (Dewsnap; "Nahal Mishmar: Chalcolithic bronze hoard". The Land of Israel / Palestine: Image Database)
As ligas e a oficina
Shalev e Northover reanalisaram o conjunto por espectrometria de absorção atômica e microanálise por sonda eletrônica e mostraram que a metalurgia de Nahal Mishmar é a mesma de outros sítios calcolíticos, como Shiqmim; as peças fundidas são em geral ligas ternárias de arsênio, antimônio e cobre, com até 20% de liga, e menos comumente de arsênio e níquel. A BAS acrescenta que em Shiqmim, na região de Berseba, Thomas Levy achou uma cabeça de maça e um cetro parecidos e uma das oficinas de cobre mais antigas da região, que usava minério de Wadi Feinan, na Jordânia; Levy e Shalev sugerem que ainda falta achar uma segunda oficina, especializada nas peças elaboradas. (Shalev; Dewsnap)
Cronologia e comércio de longa distância
Goren e colegas situam o início da metalurgia extrativa no sul do Levante na cultura ghassuliana, num intervalo de cerca de 4700/4500 a 3800 a.C., e dizem que as ligas complexas começaram antes do que se pensava, com base num método de radiocarbono que busca a data de produção dos objetos e não a de descarte. Segundo eles, o contraste entre objetos de cera perdida, feitos de ligas de fontes distantes, e ferramentas de cobre simples, de origem local, mostra a complexidade técnica e socioeconômica da metalurgia e do comércio de longa distância no Oriente Próximo calcolítico. Esses resultados vêm do resumo do artigo, que não foi lido por inteiro. (Goren)
Fontes
- Shalev, S.; Northover, J. P. "The Metallurgy of the Nahal Mishmar Hoard Reconsidered". Archaeometry 35(1), fev. 1993, p. 35-47. DOI 10.1111/j.1475-4754.1993.tb01022.x (conferido em doi.org). Só o resumo foi lido: https://cris.haifa.ac.il/en/publications/the-metallurgy-of-the-nahal-mishmar-hoard-reconsidered/ Acessar
- Goren, Yuval; Asscher, Yotam; Shalev, Sariel; Batiashvili, Magda; Nabisoy, Gunel; Pagelson, Yarden; Pinsky, Sonia; Rosenberg, Danny. "The advent of complex metallurgy". Journal of Archaeological Science 182, art. 106364, out. 2025. DOI 10.1016/j.jas.2025.106364 (conferido em doi.org). Só o resumo foi lido: https://cris.haifa.ac.il/en/publications/the-advent-of-complex-metallurgy/ Acessar
- Dewsnap, Molly. "The Cave of the Treasure", em "Chalcolithic Treasures: Nahal Mishmar". BAS Library, página sem data indicada, consultada em 29 out. 2026. https://library.biblicalarchaeology.org/sidebar/chalcolithic-treasures-nahal-mishmar/ Acessar
- "Nahal Mishmar: Chalcolithic bronze hoard". The Land of Israel / Palestine: Image Database, Universidade de Michigan (sem autoria indicada na página), item 35, consultado em 29 out. 2026. https://image-database.nes.lsa.umich.edu/items/show/35 Acessar
Na mesma região
- Expansão de Uruk (segunda metade do IV milênio a.C.): colônias, rede de trocas ou emulação local segunda metade do IV milênio a.C., c. 3500-3000 a.C. (formulação de Frangipane; as fases Uruk Médio e Tardo e as datas absolutas variam entre autores e não foram lidas em tabela)
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