Tigelas de borda chanfrada do período Uruk: produção em série em molde portátil (c. 3600–3000 a.C.)
c. 3600–3000 a.C. (Uruk Médio e Recente, segundo Montero Fenollós e Sanjurjo Sánchez 2021); datas de carvão de Tell Humeida, calibradas pelos autores: 3780–3640 e 3660–3520 a.C. cal. · Mesopotâmia e Levante, Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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As tigelas de borda chanfrada são a cerâmica mais comum nos sítios do Uruk Médio e Recente, entre 50% e 90% do total segundo autores citados por Montero Fenollós e Sanjurjo Sánchez (2021). Com tomografia, análises geoquímicas, estimativas de queima e experimentos, esses autores propõem que eram feitas em molde portátil, a partir de uma bola de argila de 800 a 900 g, em um ou dois minutos e queimadas a baixa temperatura. Para que serviam (rações, pão, cerveja ou mingau) segue em debate.
O objeto e sua abundância
Montero Fenollós e Sanjurjo Sánchez descrevem a tigela como troncocônica, em geral assimétrica, de borda em bisel; as dimensões médias dos exemplares que estudaram são 17 cm de diâmetro de boca, 7 cm de base, 8 cm de altura e 1,3 cm de espessura de parede. Dizem que ele representa de 50% a 90% de toda a cerâmica dos sítios do Uruk Médio e Recente e que é o melhor indicador material do estilo de Uruk. Os nomes em francês, alemão e inglês (écuelle grossière, Glockentopf, bevelled rim bowl) mostram que ele foi reconhecido em várias tradições de pesquisa. (Montero Fenollós e Sanjurjo Sánchez 2021)
Como foi feito, segundo os autores
Os autores comparam três hipóteses de fabricação: à mão (Kalsbeek, 1980), em moldes cavados no chão (Johnson, 1973, que obteve tigelas em cerca de 60 segundos) e em molde portátil (Balfet, 1980). Pelo exame de peças de Tell Humeida, Tell Qannas, Tello e Susa, concluem pelo molde portátil: a superfície externa é áspera e craquelada, por causa de argila seca triturada usada para soltar a peça; a interna é alisada e tem anéis concêntricos, de um movimento giratório com água; a base tem marcas de dedos e de nós dos dedos. Em experimentos, quinze tigelas foram feitas em menos de dois minutos cada, e a queima foi a 500–510 °C. (Montero Fenollós e Sanjurjo Sánchez 2021)
Uma cerâmica de baixo custo
Segundo os autores, os dados de queima mostram que os artesãos usaram o mínimo de combustível possível, e a pasta tinha desengordurante vegetal, essencialmente palha triturada. Eles dizem que as tigelas não são tecnologicamente sofisticadas, mas simbolizam uma nova identidade culinária e cultural, e que, se forem mesmo moldes para pão, como lhes parece provável, são testemunho da vida cotidiana de Uruk. As tigelas estavam ligadas também à contabilidade: o sinal GAR das tabuletas de Uruk se parece com eles. (Montero Fenollós e Sanjurjo Sánchez 2021; Englund)
Fontes
- Montero Fenollós, Juan Luis; Sanjurjo Sánchez, Jorge. "El proceso de fabricación de los cuencos con borde biselado mesopotámicos. Nuevas aportaciones desde la arqueología experimental". SPAL 30.2 (2021), p. 103-123. DOI 10.12795/spal.2021.i30.19 (conferido em doi.org). Texto lido: https://revistascientificas.us.es/index.php/spal/article/download/11388/16812/72427 Acessar
- Englund, Robert K. "The State of Decipherment of Proto-Elamite". Berlim: Max-Planck-Institut für Wissenschaftsgeschichte, Preprint 183, 2001 (versão de 21 ago. 2001, para publicação em S. Houston, org., The First Writing, Cambridge University Press). https://mpiwg-berlin.mpg.de/sites/default/files/migrated/p183.pdf Acessar
- Nathan, David L. "A 'New' Proto-Cuneiform Tablet". Cuneiform Digital Library Bulletin 2003:4, versão de 28 mar. 2003. https://cdli.mpiwg-berlin.mpg.de/articles/cdlb/2003-4.pdf Acessar
Na mesma região
- Expansão de Uruk (segunda metade do IV milênio a.C.): colônias, rede de trocas ou emulação local segunda metade do IV milênio a.C., c. 3500-3000 a.C. (formulação de Frangipane; as fases Uruk Médio e Tardo e as datas absolutas variam entre autores e não foram lidas em tabela)
- Tesouro de Nahal Mishmar: metalurgia de cera perdida e ligas complexas no Levante (c. 3500 a.C.) c. 3500 a.C. (final do Calcolítico), segundo a página da BAS e a ficha da Universidade de Michigan; datação não declarada como calibrada
- Eanna de Uruk e a "economia sagrada" de Inana: religião, trabalho e poder num só sistema, segundo Potts c. 3400 a.C. (segundo Potts 2021, para os textos arcaicos de Eanna; data não identificada como calibrada)
- Contabilidade em argila: das fichas e bulas às tabuletas numéricas (c. 3400–3200 a.C., Uruk e Susa) c. 3400–3200 a.C., segundo a sequência que Englund (2001) adota de Schmandt-Besserat; datas convencionais, que o texto não declara calibradas
- Kushim nome lido em tabuleta de Uruk III, c. 3200–3000 a.C. (datação do CDLI); nascimento e morte desconhecidos
- Furador de cobre de Tel Tsaf (vale do Jordão): o mais antigo objeto de metal do Levante meridional (c. 5100–4600 a.C. cal.) c. 5100–4600 a.C. cal. (datação radiométrica dos níveis do Calcolítico Médio de Tel Tsaf, segundo Garfinkel et al. 2014); o título do artigo diz "final do sexto milênio cal. a.C."