Atlas da História

Controvérsia do Altar da Vitória (384): o memorial de Símaco e a resposta de Ambrósio

384 (a data vem da ficha do site Fourth Century Christianity para o memorial e a Carta 18; os textos lidos não trazem o ano; o item do Wikidata não tem data) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 384, Símaco, prefeito de Roma, pediu em nome do Senado ao imperador Valentiniano II que o altar da Vitória voltasse à Casa do Senado e que os privilégios das vestais e dos sacerdotes fossem restituídos. Ambrósio, bispo de Milão, respondeu ao imperador que um príncipe cristão não podia sustentar os ritos antigos. Os dois textos preservaram os argumentos dos dois lados, ambos na voz de quem tentava convencer um imperador jovem.

O memorial de Símaco ao imperador

Na tradução lida, Símaco abre dizendo que o Senado, que sempre foi devotado ao imperador, o encarregara outra vez de levar suas queixas, depois de ter sido recusada uma audiência. Pede a volta da situação religiosa anterior e do altar da Vitória, e invoca o exemplo dos imperadores anteriores, que ou praticaram os ritos ou os toleraram. Lembra que Constantius deixou intactos os privilégios das virgens e os sacerdócios de nobres, ainda que seguisse outra religião, e pede que os atuais imperadores corrijam o que foi feito a conselho de outros por seu irmão divinizado. Pede também as heranças das vestais e dos sacerdotes, que o tesouro retinha. (Símaco)

A resposta de Ambrósio, em três pontos

Ambrósio diz ter pedido uma cópia do memorial ao saber dele e responde, no texto lido, a três proposições de Símaco: que Roma pede de volta seus ritos, que se pague a seus sacerdotes e às vestais, e que uma fome geral seguiu a recusa dos estipêndios. Ao primeiro ponto responde com Aníbal e os gauleses no Capitólio, em que, a seu ver, os ritos denunciaram a própria fraqueza. Ao segundo, com o que os cristãos sofrem: o clero não pode receber legados, enquanto o legado de uma viúva cristã a um templo vale. Ao terceiro, com colheitas que, diz ele, foram fartas no ano anterior em várias províncias e também no ano em curso. (Símaco)

Fome, colheitas e os carvalhos de Dodona

Símaco atribui uma fome geral ao sacrilégio de negar sustento às vestais e fala de gente que voltou aos carvalhos de Dodona. Ambrósio devolve a imagem e atribui a escassez à diferença entre os anos; lembra que no ano anterior as Gálias foram mais produtivas que de costume, as Panônias venderam trigo que não semearam e os frutos do outono alimentaram a Ligúria e a Venécia. Se os deuses se vingavam, pergunta, por que o ano em curso não mostra vingança alguma? Os dois usam a mesma crise de abastecimento como prova contrária. (Símaco)

Fontes

  1. Símaco, memorial ao imperador (Relatio), e Ambrósio, Carta 18, resposta. Tradução inglesa de H. De Romestin, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2ª série, vol. X (Nova York, 1896), pp. 414–422, publicada no Internet Medieval Sourcebook, Fordham University: https://sourcebooks.fordham.edu/source/ambrose-sym.asp. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
  2. Fourth Century Christianity (Wisconsin Lutheran College). Fichas "Ambrose – Memorial of Symmachus" e "Ambrose – Letter 18", postadas por Glen Thompson em 18/02/2011, campo "Date: 384": https://www.fourthcentury.com/ambrose-memorial-of-symmachus/ e https://www.fourthcentury.com/ambrose-letter-18/. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar

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