Santa Ana–La Florida: o uso mais antigo conhecido do cacau
c. 3350 a.C., c. 5.300 anos atrás (Zarrillo et al. 2018) · Terras baixas da América do Sul, Andes
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Centro cerimonial da cultura Mayo-Chinchipe na vertente oriental dos Andes, no sudeste do Equador, já na Amazônia ocidental. Grãos de amido, teobromina e DNA antigo mostram uso de cacau há cerca de 5.300 anos, o mais antigo nas Américas conhecido pelos autores, que situam no alto Amazonas o centro de domesticação da planta mais antigo já identificado.
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Uma praça circular e uma tumba em espiral em Palanda
Santa Ana–La Florida fica no cantão de Palanda, província de Zamora-Chinchipe, perto das nascentes do rio Valladolid, afluente do Chinchipe, a cerca de 1.000 m de altitude, e ocupa perto de 1 ha. A oeste há um espaço circular de 40 m de diâmetro, delimitado por uma fileira dupla de pedras, com três plataformas retangulares simétricas de uns 4 m. A leste fica uma estrutura funerária com muros concêntricos dispostos em espiral. As datas por radiocarbono vão de 4960 a 3685 AP, isto é, de c. 3000 a 2000 a.C. A cerâmica é fina e monocroma, em tons do marrom-claro ao preto, e há vasos de pedra polida, almofarizes e figurinhas (Valdez 2008). (Valdez 2008)
Turquesa, máscaras e conchas do Pacífico
Na câmara oval da tumba, de cerca de 2 m, Valdez (2008) registrou contas de turquesa, duas máscaras antropomorfas de pedra verde, fragmentos de concha Strombus, oito vasilhas cerâmicas dispostas em semicírculo, quatro garrafas de alça-estribo e três tigelas de pedra polida; o sepultamento é de c. 2500 a.C. Uma garrafa-efígie mostra uma pessoa saindo das valvas de uma concha Spondylus. Essas conchas do Pacífico indicam trocas já estabelecidas entre o litoral, os Andes e a Amazônia ocidental. Um vaso de pedra representa alguém com a bochecha inchada, mascando folhas, que Valdez apresenta como o exemplo mais antigo de "coquero" nas Américas. Para ele, uma sociedade com essa elaboração no terceiro milênio a.C., na vertente amazônica, desafia os modelos correntes sobre o surgimento das sociedades complexas andinas. (Valdez 2008)
Cacau: do alto Amazonas a mil quilômetros dali
Por muito tempo se pensou que o cacau fora domesticado na Mesoamérica; dados genômicos mostram, porém, que a maior diversidade da planta está no alto Amazonas, e Zarrillo et al. (2018) apresentam o sítio como o primeiro exemplo arqueológico inequívoco de seu uso na América do Sul. Lanaud et al. (2024) ampliaram a busca: analisaram resíduos em 352 peças cerâmicas de 19 culturas do Equador, da Colômbia, do Peru, do México, de Belize e do Panamá, de c. 3900 a.C. a 1600 d.C. Na cultura Valdivia, do litoral equatoriano (3900 a 1400 a.C.), 19 de 96 peças deram DNA de cacau, de grupos genéticos hoje associados ao Marañón, ao Nanay (Peru) e ao Nacional (Equador). O grupo Nacional é nativo do sudeste equatoriano, onde a cultura Mayo-Chinchipe-Marañón conviveu com a Valdivia. Os autores concluem que, desde o Holoceno médio, pessoas misturaram variedades e levaram bens e plantas por até mil quilômetros. Santa Ana–La Florida não está entre as amostras desse estudo. (Zarrillo et al. 2018; Lanaud et al. 2024)
Fontes
- Zarrillo, S.; Gaikwad, N.; Lanaud, C.; Powis, T. et al. (2018). "The use and domestication of Theobroma cacao during the mid-Holocene in the upper Amazon". Nature Ecology & Evolution 2(12): 1879–1888. DOI 10.1038/s41559-018-0697-x. Acessar
- Valdez, F. (2008). "Mayo Chinchipe". Les Nouvelles de l'archéologie 111/112: 53–58. DOI 10.4000/nda.288. Acessar
- Lanaud, C.; Vignes, H.; Utge, J.; Valette, G. et al. (2024). "A revisited history of cacao domestication in pre-Columbian times revealed by archaeogenomic approaches". Scientific Reports 14: 2972. DOI 10.1038/s41598-024-53010-6. Acessar
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