De agri cultura, de Catão: a prensa de azeite, a alvenaria de cal e areia e a gestão da propriedade rural
c. 160 a.C. (Wikidata, data de publicação com precisão de década; o texto lido não se data) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
O De agri cultura é um manual em latim, atribuído a Catão, o Velho, sobre como comprar, montar e administrar uma propriedade rural. O capítulo 18 dá medidas para um lagar de azeite com prensa de vigas, fundações de pedra e argamassa de cal e areia com entulho miúdo, e o capítulo 2 manda o proprietário vender, ao lado de bois e ferramentas velhas, o "servum senem, servum morbosum", isto é, a pessoa escravizada idosa ou doente. O texto fala em nome do dono da terra e não traz a voz de nenhuma pessoa escravizada.
Um manual para o proprietário
O tratado abre com uma Praefatio em que Catão, o Velho, afirma, pelo texto latino, que é por vezes melhor ganhar dinheiro com o comércio e o empréstimo, se não fossem tão arriscados e tão pouco honrosos, e que os antepassados elogiavam um homem bom chamando-o de "bom lavrador e bom colono". Segue um capítulo sobre a compra de uma propriedade: não comprar com avidez, visitá-la várias vezes, olhar como vão os vizinhos, preferir clima bom, terra boa, sopé de montanha voltado para o sul, mão de obra em abundância, cidade forte por perto, e mar, rio navegável ou boa estrada. (Catão)
Um olival de 240 iugera e seu pessoal
O capítulo 10 diz como equipar um olival de 240 iugera: um vilicus, uma vilica, cinco operarii, três bubulci, um asinarius, um subulcus e um opilio, "ao todo treze pessoas", mais bois (boves trinos), burros para carregar esterco, um burro de moinho, cem ovelhas, cinco conjuntos de utensílios de azeite, vasos, jarros, carros, arados e ferramentas. O capítulo 12 lista o que vai na casa da prensa: cinco prensas com seus aparelhos, cordas de couro, cinco trapetos, alavancas (vectes) e cunhas. O que se lê é um inventário do proprietário; não diz quem eram essas pessoas além do ofício de cada uma. (Catão)
O lagar: vigas, pedra, chumbo e cal
O capítulo 18 dá instruções para construir um lagar para quatro prensas: vigas grossas com 2 pés de espessura e 9 de altura, uma prensa com 25 pés de comprimento, pavimento com canais e quatro trapetos. Os alicerces têm 5 pés de profundidade, com pedras de silex assentadas, e as vigas se assentam por encaixes na pedra, com o espaço que sobra preenchido de carvalho e chumbo derramado. Para o piso, o texto manda socar uma camada de cascalho e cal com areia, repetir a camada, espalhar dois dedos de cal peneirada e assentar por cima cacos secos de cerâmica, batidos e esfregados. Para a base do piso (2 pés de fundação) e da ara (5 pés), manda socar primeiro e depois erguer, em camadas de meio pé, com "entulho miúdo e cal com areia". (Catão)
Quem trabalhava na propriedade
No capítulo 2, o dono, ao chegar, chama o vilicus e examina as contas de obras e de pessoas, ouvindo desculpas, entre elas "que os escravizados não estiveram bem" ou "fugiram"; depois faz um leilão em que vende azeite, vinho, bois velhos, ferramentas velhas, "servum senem, servum morbosum" e o que sobrar: o pai de família deve ser "vendedor, não comprador". Plutarco, em sua Vida de Catão, diz que ele comprava jovens cativos de guerra, vendia os velhos e não queria criados inúteis sendo alimentados em casa. Nos dois textos, quem aparece é o dono; as pessoas escravizadas surgem como bens, sem fala própria. (Catão; Plutarco. "Marcus Cato". Em Plutarch: Lives of the Noble Grecians and Romans)
Fontes
- Catão, o Velho (Marcus Porcius Cato). De agri cultura (De agri cultura, texto latino com a Praefatio e os capítulos numerados). The Latin Library, consultado em 29/10/2026. https://www.thelatinlibrary.com/cato/cato.agri.html; a página não indica a edição reproduzida. Acessar
- Plutarco. "Marcus Cato". Em Plutarch: Lives of the Noble Grecians and Romans, ed. Arthur Hugh Clough (tradução inglesa antiga, sem indicação de tradutor no arquivo consultado). Project Gutenberg eBook nº 674, 1996, atualizado em 2024, consultado em 29/10/2026. https://www.gutenberg.org/cache/epub/674/pg674.txt Acessar
Na mesma região
- Batalha de Pidna (168 a.C.) e a partilha da Macedônia em quatro cantões, segundo Lívio e Políbio 22 de junho de 168 a.C. (Wikidata P585); Políbio, nas notas de Shuckburgh, situa a batalha por volta do meio do verão; a partilha da Macedônia em cantões foi anunciada em Anfípolis logo depois, em data que as fontes lidas não dão
- Histórias de Políbio: a constituição mista e a explicação grega da ascensão de Roma (livro VI) c. 150 a.C. (Wikidata P571, com precisão de século). A obra narra de cerca de 219 a 146 a.C., segundo as notas de margem de Shuckburgh; a data de composição do livro VI não aparece nas fontes lidas
- Guerra Aqueia e destruição de Corinto (146 a.C.): o que contam Políbio, Pausânias e Estrabão 146 a.C. (Wikidata P585, sem mês); nas notas de margem de Shuckburgh a Políbio, a morte do estratego Crítolau é da primavera de 146 a.C. e o saque de Corinto, de setembro de 146 a.C.
- Senatus consultum de Bacchanalibus (186 a.C.): o decreto contra as bacanais, lido pela inscrição de Tiriolo e por Lívio 7 de outubro de 186 a.C. (nonas de outubro, data da consulta ao Senado na inscrição; o ano 186 vem do NovaRoma e da descrição do Wikidata)
- Terêncio: o comediógrafo nascido em Cartago, trazido a Roma como escravizado, segundo a tradição, e suas seis peças c. 185 – c. 159 a.C. (Wikidata); primeira peça encenada em 166 a.C. (Britannica de 1911)
- Cerco de Numância (134–133 a.C.): a cidade celtibera cercada por Cipião Emiliano, segundo Apiano e Blázquez Martínez 134–133 a.C. (Wikidata P580 e P582); na tradução de Apiano por White, Cipião é eleito cônsul em 134 a.C. e o cerco e a rendição se dão em 133 a.C.