Guerra Aqueia e destruição de Corinto (146 a.C.): o que contam Políbio, Pausânias e Estrabão
146 a.C. (Wikidata P585, sem mês); nas notas de margem de Shuckburgh a Políbio, a morte do estratego Crítolau é da primavera de 146 a.C. e o saque de Corinto, de setembro de 146 a.C. · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 146 a.C., a Liga Aqueia, sob o estratego Diaios, enfrentou Roma e foi vencida no Istmo pelo cônsul Lúcio Múmio, que tomou e incendiou Corinto no terceiro dia depois da batalha. Segundo Pausânias, os romanos mataram a maior parte dos que acharam na cidade, e Múmio vendeu mulheres, crianças e as pessoas libertadas que haviam lutado com os aqueus; depois dissolveu as confederações gregas e impôs tributo à Grécia. Políbio, aqueu que viu a pilhagem, atribui a desgraça à insensatez dos chefes da Liga.
Leia sobre isto
A mobilização de Diaios em 146 a.C.
Depois da morte do estratego Crítolau, na primavera de 146 a.C. segundo as notas de Shuckburgh, Diaios assumiu a Liga Aqueia. Políbio conta que ele escreveu às cidades mandando libertar os escravizados em idade militar, nascidos e criados nas casas, e enviá-los armados a Corinto; uma nota de margem fala em 10.000, e as cotas por cidade foram fixadas, nas palavras de Políbio, ao acaso. Os ricos, homens e mulheres, foram obrigados a prometer dinheiro, e as mulheres tiveram de entregar os próprios adornos e os dos filhos. Políbio descreve cidades cheias de confusão e desespero e diz que, em Pátras, alguns buscaram a morte voluntária; fala também de gente que se jogava em poços e precipícios. Os eleus e os messênios não se moveram, por medo da frota romana. O relato é de um autor hostil a Diaios, o que pede cautela. (Políbio. As Histórias (The Histories). Tradução inglesa de Evelyn S. Shuckburgh. Londres e Nova York: Macmillan)
A batalha do Istmo e a queda da cidade
Segundo Pausânias, Múmio chegou com Orestes, mandou Metelo e suas tropas para a Macedônia e esperou no Istmo as forças que somavam 3.500 cavaleiros e 23.000 infantes, mais arqueiros cretenses e um contingente enviado por Átalo de Pérgamo. Os aqueus atacaram de noite um posto avançado, mataram alguns romanos e tomaram cerca de quinhentos escudos; encorajados, saíram a campo antes do ataque romano. A cavalaria aqueia fugiu sem esperar a primeira carga, e a infantaria foi vencida pelo número e por mil romanos escolhidos que atacaram pelo flanco. Diaios fugiu para Megalópolis, sem recolher os fugitivos em Corinto. Os aqueus que tinham ido para Corinto escaparam à noite, com a maioria dos próprios coríntios. Múmio hesitou em entrar, por suspeitar de emboscada, e no terceiro dia depois da batalha tomou a cidade à força e a incendiou. (Pausânias. Descrição da Grécia (Ἑλλάδος Περιήγησις))
Saque, escravização e despojos
Pausânias escreve que os romanos mataram a maior parte dos que encontraram em Corinto, e que Múmio vendeu mulheres e crianças, em grego γυναῖκας δὲ καὶ παῖδας ἀπέδοτο Μόμμιος. Vendeu também os que haviam sido libertados da condição de escravizados, tinham lutado com os aqueus e não morreram logo no campo. As oferendas e obras mais admiradas foram levadas por Múmio; as de menor valor, entregues a Filopêmen, general enviado por Átalo, e em seus dias ainda havia despojos coríntios em Pérgamo. Políbio, presente, viu quadros jogados ao chão e soldados jogando dados sobre eles, entre os quais um Dioniso de Aristides. Mais tarde, Políbio defendeu diante de Múmio e dos comissários as estátuas do estratego aqueu Filopêmen, homenageado em várias cidades, que foram preservadas, e recusou a oferta de ficar com bens confiscados de Diaios. (Pausânias. Descrição da Grécia (Ἑλλάδος Περιήγησις); Políbio. As Histórias (The Histories). Tradução inglesa de Evelyn S. Shuckburgh. Londres e Nova York: Macmillan)
A nova ordem na Grécia
Pausânias diz que Múmio demoliu as muralhas das cidades que haviam feito guerra a Roma e desarmou os habitantes; depois, com a chegada dos comissários, aboliu as democracias, instituiu governos baseados em censo de propriedade, impôs tributo à Grécia e proibiu que os ricos adquirissem bens em outra região. As confederações de aqueus, fócios e beócios foram todas dissolvidas. Alguns anos depois, segundo ele, os romanos tiveram pena da Grécia, restauraram as confederações e o direito de possuir bens fora, e perdoaram multas como as cem talentos que os beócios deviam a Heracleia e à Eubeia e os duzentos que os aqueus deviam aos lacedemônios. Políbio acrescenta que os dez comissários, depois de seis meses, partiram na primavera deixando-o encarregado de visitar as cidades e resolver disputas até que se acostumassem à nova constituição, e que Múmio, depois, restaurou lugares sagrados do Istmo e ornamentou templos em Olímpia e Delfos. (Pausânias. Descrição da Grécia (Ἑλλάδος Περιήγησις); Políbio. As Histórias (The Histories). Tradução inglesa de Evelyn S. Shuckburgh. Londres e Nova York: Macmillan)
Corinto depois: ruína e refundação segundo Estrabão
Estrabão escreve que Corinto foi arrasada por Múmio e que os habitantes de Sicião ficaram com a maior parte do território coríntio. A cidade ficou deserta por muito tempo, até que o divino César a recolonizou com gente que era, em sua maioria, da classe dos libertos. Ao remover as ruínas e abrir sepulturas, os colonos acharam grande quantidade de relevos de terracota e vasos de bronze; admirando o trabalho, não deixaram túmulo sem revirar e encheram Roma desses objetos, que chamaram de mortuários de Corinto, em especial a cerâmica. Estrabão diz que a cidade foi sempre grande e rica, com gente hábil nos negócios públicos e nos ofícios, e que em Corinto e em Sicião floresceram a pintura e a modelagem. (Estrabão. Geografia (Geography))
Fontes
- Políbio. As Histórias (The Histories). Tradução inglesa de Evelyn S. Shuckburgh. Londres e Nova York: Macmillan, 1889 (reimpressão Bloomington, 1962), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts). Lidos em texto bruto os trechos dos livros 1 (cap. 1 e 2), 3 (cap. 4), 6, 29 (cap. 16 e 17) e 39 (cap. 8 a 19); as notas de margem e de rodapé com meses e anos são do tradutor. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0543/tlg001/tlg0543.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Pausânias. Descrição da Grécia (Ἑλλάδος Περιήγησις), livro 7, cap. 15 e 16. Tradução inglesa de W. H. S. Jones (Loeb Classical Library, Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: Heinemann, 1918–1935) e texto grego de Friedrich Spiro (Leipzig: Teubner, 1903), ambos pela edição digital do Perseus Project. Lido em texto bruto o cap. 7.16 em inglês e, em grego, os parágrafos 7.16.7 e 7.16.8. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0525/tlg001/tlg0525.tlg001.perseus-eng2.xml e …/tlg0525.tlg001.perseus-grc2.xml (baixados e lidos em 29/10/2026). Acessar
- Estrabão. Geografia (Geography), livro 8, cap. 4.8 e 6.23. Tradução inglesa de Horace Leonard Jones (Loeb Classical Library, Londres: Heinemann; Cambridge, MA: Harvard University Press, 1924–1929), pela edição digital do Perseus Project. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0099/tlg001/tlg0099.tlg001.perseus-eng3.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Histórias de Políbio: a constituição mista e a explicação grega da ascensão de Roma (livro VI) c. 150 a.C. (Wikidata P571, com precisão de século). A obra narra de cerca de 219 a 146 a.C., segundo as notas de margem de Shuckburgh; a data de composição do livro VI não aparece nas fontes lidas
- Cerco de Numância (134–133 a.C.): a cidade celtibera cercada por Cipião Emiliano, segundo Apiano e Blázquez Martínez 134–133 a.C. (Wikidata P580 e P582); na tradução de Apiano por White, Cipião é eleito cônsul em 134 a.C. e o cerco e a rendição se dão em 133 a.C.
- De agri cultura, de Catão: a prensa de azeite, a alvenaria de cal e areia e a gestão da propriedade rural c. 160 a.C. (Wikidata, data de publicação com precisão de década; o texto lido não se data)
- Batalha de Pidna (168 a.C.) e a partilha da Macedônia em quatro cantões, segundo Lívio e Políbio 22 de junho de 168 a.C. (Wikidata P585); Políbio, nas notas de Shuckburgh, situa a batalha por volta do meio do verão; a partilha da Macedônia em cantões foi anunciada em Anfípolis logo depois, em data que as fontes lidas não dão
- Senatus consultum de Bacchanalibus (186 a.C.): o decreto contra as bacanais, lido pela inscrição de Tiriolo e por Lívio 7 de outubro de 186 a.C. (nonas de outubro, data da consulta ao Senado na inscrição; o ano 186 vem do NovaRoma e da descrição do Wikidata)
- Terêncio: o comediógrafo nascido em Cartago, trazido a Roma como escravizado, segundo a tradição, e suas seis peças c. 185 – c. 159 a.C. (Wikidata); primeira peça encenada em 166 a.C. (Britannica de 1911)