Senatus consultum de Bacchanalibus (186 a.C.): o decreto contra as bacanais, lido pela inscrição de Tiriolo e por Lívio
7 de outubro de 186 a.C. (nonas de outubro, data da consulta ao Senado na inscrição; o ano 186 vem do NovaRoma e da descrição do Wikidata) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 7 de outubro de 186 a.C., os cônsules Q. Márcio e Sp. Postúmio consultaram o Senado, no templo de Belona, sobre as bacanais, ritos em honra de Baco. A cópia em bronze enviada ao ager Teuranus, achada em Tiriolo (Calábria) em 1640, manda que ninguém tenha bacanal sem licença, que homem nenhum seja sacerdote, que ninguém seja dirigente nem tenha fundo comum, e que, sem licença do pretor urbano e do Senado, os ritos reúnam no máximo cinco pessoas, sendo dois homens e três mulheres. Lívio narra o inquérito que levou a prisões e, segundo ele, a mais execuções que encarceramentos.
O que Lívio conta: Aebúcio, Híspala e o inquérito
Segundo Lívio, as bacanais chegaram a Roma vindas da Etrúria. Públio Aebúcio, órfão de pai, vivia sob a mãe Durônia e o padrasto T. Semprônio Rutilo, que, sem poder prestar contas da tutela, queria ver o rapaz afastado ou sob seu domínio, e uma das vias para corrompê-lo era o culto de Baco. A mãe disse a Aebúcio que fizera um voto na doença dele e o iniciaria depois de dez dias de castidade. Híspala Fécenia, liberta que se sustentava como cortesã e era vizinha e amiga do rapaz, fez dele herdeiro. O cônsul Postúmio ouviu os dois, instalou Híspala num aposento da casa da sogra, com a escada da rua bloqueada, e Aebúcio em casa de um cliente, e levou o caso ao Senado, que lhe agradeceu pela discrição da investigação. (Tito Lívio. História de Roma (Ab urbe condita). Tradução inglesa de Rev. Canon Roberts. Londres e Nova York: J. M. Dent and Sons e E. P. Dutton and Co.)
As medidas do Senado segundo Lívio
Lívio narra que os cônsules receberam poderes extraordinários, com ordem de proteger Aebúcio e Híspala e de oferecer recompensas a quem delatasse. Os dirigentes dos ritos deviam ser procurados em Roma e em todo lugar de reunião, e editais proibiram os iniciados de se reunir em toda a Itália. Muita gente fugiu de Roma, a ponto de os pretores adiarem os tribunais por um mês. Os que apenas tinham sido iniciados ficaram presos; os culpados de violências, falso testemunho, falsificação de selos e testamentos foram condenados à morte, e os executados foram mais numerosos que os presos. As mulheres condenadas eram entregues a parentes ou tutores para punição privada, e, na falta deles, eram executadas em público. Os santuários bacanais foram destruídos, exceto onde havia altar antigo ou imagem sagrada. (Tito Lívio. História de Roma (Ab urbe condita). Tradução inglesa de Rev. Canon Roberts. Londres e Nova York: J. M. Dent and Sons e E. P. Dutton and Co.)
Recompensas e a condição de Híspala
Segundo Lívio, o Senado decidiu pagar a Aebúcio e a Híspala, que tinham denunciado as bacanais, 100.000 asses do tesouro a cada um. Aebúcio ficou isento do serviço militar. A Híspala, liberta, o Senado concedeu direitos que Lívio detalha: dispor dos próprios bens como quisesse, casar-se fora da gens, escolher o tutor, como se um marido lhe tivesse dado esse poder em testamento, e casar com um homem de nascimento livre, sem prejuízo de reputação nem de posição para ele. Cônsules e pretores deviam cuidar para que nada lhe acontecesse. Lívio põe em contraste Paculla Ânia, a sacerdotisa que mudou o rito, e Híspala, a liberta que o denunciou; os dois retratos são dele. (Tito Lívio. História de Roma (Ab urbe condita). Tradução inglesa de Rev. Canon Roberts. Londres e Nova York: J. M. Dent and Sons e E. P. Dutton and Co.)
O texto da inscrição de Tiriolo
A carta em bronze começa com os nomes dos cônsules, a data (nonas de outubro) e o local da consulta, o templo de Belona, e cita três homens presentes à redação. A grafia é arcaica, com formas como QVEI, VTEI e OINVORSEI na transcrição lida. O texto proíbe ter bacanal, exceto por licença do pretor urbano com pelo menos cem senadores; veda sacerdote homem e dirigente homem ou mulher; veda fundo comum, juramentos e promessas entre os adeptos e ritos secretos, em público ou em privado ou fora da cidade. Determina que o decreto seja lido em assembleia por três mercados e inscrito em bronze, e termina com "In agro Teurano". (Perri; NovaRoma. "Senatus consultum" (seção Senatus consultum de Bacchanalibus). Wiki NovaRoma)
Fontes
- Tito Lívio. História de Roma (Ab urbe condita). Tradução inglesa de Rev. Canon Roberts. Londres e Nova York: J. M. Dent and Sons e E. P. Dutton and Co., 1912, pela edição digital do Perseus Project. Lidos em texto bruto os livros 39 (cap. 8 a 19), 44 (cap. 41 e 42) e 45 (cap. 18, 29, 30 e 32). O texto em latim não foi lido. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-latinLit/master/data/phi0914/phi001/phi0914.phi001.perseus-eng3.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Perri, Basilio (nome de usuário "perribasilio" na página; a identidade não foi confirmada). "Consulum edictum de Bacchanalibus – Testo e traduzione". Em: Il cosiddetto "Senatus Consultum de Bacchanalibus" (blog), publicado em 3 de outubro de 2019. https://senatusconsultum.blog/2019/10/03/consulum-edictum-de-bacchanalibus-testo-e-traduzione/ (HTML baixado e texto bruto lido em 29/10/2026). Acessar
- NovaRoma. "Senatus consultum" (seção Senatus consultum de Bacchanalibus). Wiki NovaRoma, sem autor nem data na página. http://www.novaroma.org/nr/Senatus_consultum (HTML baixado e texto bruto lido em 29/10/2026). Acessar
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