Cerco de Numância (134–133 a.C.): a cidade celtibera cercada por Cipião Emiliano, segundo Apiano e Blázquez Martínez
134–133 a.C. (Wikidata P580 e P582); na tradução de Apiano por White, Cipião é eleito cônsul em 134 a.C. e o cerco e a rendição se dão em 133 a.C. · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Entre 134 e 133 a.C., o general romano Cipião Emiliano cercou Numância, cidade dos celtiberos no alto Douro, depois de vários generais romanos terem sido derrotados ou terem firmado tratados que o Senado rejeitou. Segundo Apiano, Cipião fechou a cidade com um muro, torres e uma barreira no rio, e os numantinos, famintos, se renderam; ele reservou cinquenta prisioneiros para o triunfo, vendeu os demais e arrasou a cidade. Blázquez Martínez, que segue Apiano, lembra que os acampamentos da Meseta estudados por Schulten formam a melhor coleção de acampamentos romanos da época republicana.
Leia sobre isto
Antes de Cipião: tratados rejeitados e generais vencidos
Blázquez Martínez conta que Roma pôs cônsules à frente do exército na guerra celtibérica, desde Q. Cecílio Metelo em 143 a.C.; depois vieram Popílio Lena, Hostílio Mancino, Emílio Lépido e Fúrio. O Senado queria rendição sem condições e rejeitou o pacto de Mancino com os celtiberos. Em Apiano, o general Emílio perdeu o comando e o consulado depois de fracassar no cerco de Palância, de onde as tropas romanas, famintas, fugiram deixando os feridos. Mancino foi entregue nu aos numantinos, que se recusaram a recebê-lo. Piso, eleito em 135 a.C., não marchou contra Numância e passou o ano em quartéis de inverno. Cansado de uma guerra mais longa e dura do que o esperado, o povo romano elegeu Cipião cônsul pela segunda vez, em 134 a.C. (Apiano de Alexandria. A História Romana: as guerras na Espanha (The Roman History: The Wars in Spain; Blázquez Martínez)
A disciplina de Cipião
Apiano conta que Cipião, ao chegar à Hispânia, achou o exército cheio de ociosidade e luxo e expulsou comerciantes, prostitutas e adivinhos. Mandou vender carroças e animais de carga em excesso, limitou os utensílios de cozinha a um espeto, uma caldeira de bronze e um copo, proibiu camas (ele dormiu primeiro na palha) e fez as tropas treinarem marchando, armando e desarmando acampamentos e cavando e enchendo valas. Blázquez Martínez confirma o quadro e acrescenta, citando Lívio (Perioquia 57), que eram 2.000 as prostitutas expulsas, dado que ele diz confirmado por Polieno; Plutarco e o poeta Lucílio, que participou do cerco, também aparecem como testemunhas. Só depois do treinamento Cipião se aproximou de Numância e devastou o território dos vaceus, que a abasteciam. (Apiano de Alexandria. A História Romana: as guerras na Espanha (The Roman History: The Wars in Spain; Blázquez Martínez)
A muralha, as torres e o Douro
Segundo Apiano, Cipião fez dois acampamentos junto à cidade, deixando o irmão Máximo em um deles, não aceitou a batalha oferecida e escolheu o cerco para vencer pela fome. A circunferência de Numância era de 24 estádios, e a das obras mais que o dobro. Uma muralha de oito pés de largura e dez de altura, com torres a cada cem pés, cercava a cidade; o rio Douro, que dava passagem aos numantinos, foi bloqueado com torres e toras cravadas de facas e pontas de lança. Apiano diz que, com os aliados, havia cerca de 60.000 homens, metade deles (30.000) de guarda e pronta a acudir onde fosse preciso, 20.000 para combater do alto da muralha e 10.000 de reserva. Blázquez Martínez, que segue Apiano, lista sete acampamentos (Castillejo, Travesadas, Valdevorrón, Peña Redonda, Raza, Dehesilla e Alto Real) e soma cerca de 20.000 itálicos entre os 60.000. (Apiano de Alexandria. A História Romana: as guerras na Espanha (The Roman History: The Wars in Spain; Blázquez Martínez)
Retógenes, Lútia e a embaixada de Avaro
Apiano conta que o numantino Retógenes, de sobrenome Caraunio, cruzou a linha romana numa noite nublada com cinco amigos, usando uma ponte em seções, e foi pedir ajuda aos arévacos, que, por medo dos romanos, nem o ouviram. Os jovens de Lútia, cidade a trezentos estádios, quiseram socorrer Numância, mas os mais velhos avisaram Cipião, que cercou a cidade ao amanhecer e exigiu os líderes. Cerca de 400 foram entregues, e ele lhes cortou as mãos. Com fome crescente, os numantinos enviaram cinco homens a Cipião, chefiados por Avaro, que falou do valor de seu povo e pediu termos humanos. Cipião exigiu a entrega de armas e cidade, e os numantinos, segundo Apiano, mataram os enviados. (Apiano de Alexandria. A História Romana: as guerras na Espanha (The Roman History: The Wars in Spain)
Fome, rendição e destruição
Apiano diz que, sem grãos nem rebanhos, os numantinos ferveram couros e, depois, comeram corpos humanos, primeiro de mortos naturais e depois dos fracos. Rendidos, pediram um dia para arranjar a morte, pois muitos preferiam tirar a própria vida; muitos se mataram logo após a rendição, e o resto se apresentou no terceiro dia em estado que impressionou até os inimigos. Cipião reservou cinquenta prisioneiros para o triunfo, vendeu os demais e arrasou a cidade, dividindo o território entre vizinhos. Apiano resume que, com só 8.000 homens de armas, os numantinos causaram a Roma reveses incontáveis e que só a fome os venceu. Blázquez Martínez acrescenta que Políbio, que estava presente à queda, comparou a guerra a um incêndio de bosque, que reacende em outros lugares quando parece apagado. (Apiano de Alexandria. A História Romana: as guerras na Espanha (The Roman History: The Wars in Spain; Blázquez Martínez)
O que a arqueologia dos acampamentos acrescenta
Blázquez Martínez resume a obra de Schulten, que escavou os acampamentos romanos ao redor de Numância e pôs o de Cipião em Castillejo e o do irmão em Peña Redonda. Ele traz também o estudo de H. J. Hildebrandt sobre as moedas achadas nos acampamentos: os de La Gran Atalaya seriam de 157 a 146 a.C., antes do cerco; os de Cipião, de 141 a 130 a.C.; e o acampamento IV, que Schulten datava da época de Sertório, seria de 135 a 130 a.C., poucos anos depois dos de Cipião. Para ele, as cronologias de Schulten se confirmam, exceto em um caso. Dois dos acampamentos perto de Numância datariam do tempo de Catão, em 195 a.C. (Blázquez Martínez)
Fontes
- Apiano de Alexandria. A História Romana: as guerras na Espanha (The Roman History: The Wars in Spain, Ibérica), cap. 13 a 16 da divisão do Perseus (equivale aos parágrafos 76 a 102). Tradução inglesa de Horace White. Nova York: The Macmillan Company, 1899, pela edição digital do Perseus Project; as datas a.C. e A.U.C. na margem são do tradutor. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0551/tlg007/tlg0551.tlg007.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Blázquez Martínez, José María. "Campamentos romanos en la Meseta hispana en época romano republicana". Capítulo de livro (numeração das páginas do original, 67 em diante; a cópia em PDF não traz o título da obra nem o ano e cita bibliografia até 1998). https://www.numanciamultimedia.com/pdf/campamentos-romanos-en-la-meseta-hispana-en-epoca-romana-republicana.pdf (PDF baixado e texto bruto lido em 29/10/2026). Acessar
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