Atlas da História

Diolkos de Corinto: a passagem pelo istmo onde se arrastavam navios de um golfo ao outro, e o debate sobre a via pavimentada

tradicionalmente c. 600 a.C. (Wikidata, séc. VI a.C.); data em debate. A fonte mais antiga lida é Tucídides, sobre a Guerra do Peloponeso (séc. V a.C.) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Estrabão chama de Diolkos o lugar do istmo de Corinto por onde se arrastavam embarcações de um golfo ao outro, junto a Esqueno, e Tucídides conta que, na Guerra do Peloponeso, os lacedemônios prepararam máquinas no istmo para arrastar galés de Corinto ao mar do lado de Atenas. A via pavimentada hoje chamada Diolkos foi escavada por Verdelis nos anos 1950 e dada tradicionalmente como de c. 600 a.C. Segundo Slane, resenhando Pettegrew, os navios não eram arrastados com regularidade e trechos da via podem ser tardios.

O que Estrabão diz do Diolkos

Estrabão (VIII.6.4) escreve que em Esqueno fica o Diolkos, "o lugar onde arrastam as embarcações através do istmo", e que é a parte mais estreita dele; perto de Esqueno fica o templo de Posidon Ístmico. Mais adiante (VIII.6.22) descreve o litoral entre Lecaio e Pagas como curvo, banhado pelo golfo de Corinto, e diz que ele "forma o Diolkos, ou a passagem por onde as embarcações são arrastadas através do istmo até a costa oposta, em Esqueno, perto de Cencreias". A tradução inglesa identifica Esqueno com o ponto mais estreito. (Estrabão. Geography (Geografia))

Corinto no istmo e as galés de Tucídides

Tucídides (I.13) descreve Corinto, "sentada num istmo", como lugar sempre de tráfico, porque os gregos de dentro e de fora do Peloponeso comerciavam mais por terra que por mar e só se encontravam passando por território coríntio. Em III.15, depois do pedido de ajuda de Mitilene, os lacedemônios e seus aliados, depois do pedido de Mitilene, mandam reunir no istmo dois terços de suas forças e preparam ali máquinas "para arrastar galés", com a intenção de levar a frota de Corinto ao outro mar, o do lado de Atenas, e atacar por mar e por terra. Os atenienses, ao saber, lançam cem galés ao istmo para mostrar poder. (Tucídides. History of the Peloponnesian War (História da Guerra do Peloponeso))

A via escavada e o argumento de Pettegrew

A resenha de Slane resume o argumento de Pettegrew: a via pavimentada que Verdelis escavou nos anos 1950 seria parte de uma paisagem quase toda do fim do período clássico e início do helenístico; uma pista de terra provavelmente a precedeu, e trechos pavimentados podem ser bem tardios porque Verdelis relatou escultura e fragmentos arquitetônicos clássicos reaproveitados nela. Para Pettegrew, a pavimentação refletiria a necessidade de abastecer o santuário de Posidon e os jogos ístmicos. Slane responde que os jogos eram bienais e que a leitura diminui o papel comercial, e lembra o trabalho de MacDonald (1986) sobre o transporte contínuo de mármore e madeira. (Slane 2016)

Arrastos de navios e o canal de Nero

Segundo a tabela de Pettegrew resumida por Slane, o arrasto de navios aparece nas fontes em 412 a.C. (peloponésios), três vezes sob Filipe V (220, 217 e cerca de 207 a.C.) e em 102 a.C. (Marco Antônio, o orador); o de Otaviano seria provavelmente apócrifo. Segundo a resenha, a melhor evidência de arrasto é helenística, e esses episódios são golpes militares pontuais, voltados a inimigos do outro lado do Egeu ou do golfo de Corinto, e não prova de operação constante. Nos anos 66-68 d.C., escreve Slane, o canal de Nero cortou a velha via do Diolkos. (Slane 2016)

Fontes

  1. Estrabão. Geography (Geografia), livro VIII (cap. 6, § 4 e 22). Trad. Hans Claude Hamilton e William Falconer. Londres: Henry G. Bohn, 1854-1857. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0099.tlg001.perseus-eng4, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0099/tlg001/tlg0099.tlg001.perseus-eng4.xml Acessar
  2. Tucídides. History of the Peloponnesian War (História da Guerra do Peloponeso), livro I (cap. 13) e livro III (cap. 15). Trad. Thomas Hobbes, em The English Works of Thomas Hobbes of Malmesbury, vols. 8-9. Londres: John Bohn, 1843. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0003.tlg001.perseus-eng4, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0003/tlg001/tlg0003.tlg001.perseus-eng4.xml Acessar
  3. Slane, Kathleen W. Resenha de: David K. Pettegrew, The Isthmus of Corinth: Crossroads of the Mediterranean World (Ann Arbor: University of Michigan Press, 2016). Ancient History Bulletin Online Reviews 6 (2016), p. 136-140. PDF em https://ancienthistorybulletin.org/wp-content/uploads/2017/01/AHBOnlineReviews2016.34.WarnerSlaneOnPettegrew.pdf, consultado em 29/10/2026. Acessar

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