Esopo: o contador de fábulas que Heródoto diz ter sido escravizado em Samos e que Aristóteles mostra defendendo um demagogo com uma fábula
c. 620 – c. 564 a.C. (Wikidata); as fontes lidas não datam a vida dele · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Esopo é, em Heródoto, o contador de fábulas ("logopoios") que pertenceu a Iadmon de Samos, como a trácia Ródopis. O historiador prova a condição dele com um fato: quando os délfios proclamaram uma indenização pela morte de Esopo, só o neto de Iadmon se apresentou. Aristóteles, na Retórica, o mostra em Samos, defendendo um demagogo julgado por crime capital com a fábula da raposa, do ouriço e das pulgas.
Escravizado de Iadmon, segundo Heródoto
Em Heródoto (II.134), Ródopis é descrita como trácia de nascimento, escravizada de Iadmon, filho de Hefestópolis, o samiano, e "companheira de escravidão de Esopo, o autor de histórias". O argumento dele é que Esopo também pertencia a Iadmon: quando os délfios, seguindo um oráculo, publicaram muitos pregões convocando quem quisesse receber a indenização pela morte de Esopo, ninguém se apresentou, exceto o filho do filho de Iadmon, outro Iadmon. Por isso, conclui, Esopo era de Iadmon. O texto não conta como o senhor o adquiriu nem a que povo Esopo pertencia. (Heródoto. The Histories (Histórias))
Ródopis, a outra pessoa escravizada da casa
A passagem de Heródoto (II.135) segue o destino de Ródopis, trazida ao Egito por Xantes de Samos para trabalhar e libertada por Cárax de Mitilene, que pagou muito dinheiro. Em liberdade, ela enriqueceu no Egito e, segundo o historiador, mandou fazer espetos de ferro com a décima parte do que possuía para dedicá-los em Delfos, onde ficam amontoados atrás do altar dos quianos. A casa de Iadmon aparece assim como a de duas pessoas escravizadas cujos caminhos terminam longe de Samos; do de Esopo, o texto só diz que sua morte exigiu indenização em Delfos. (Heródoto. The Histories (Histórias))
A raposa, o ouriço e as pulgas
Aristóteles (Retórica II.20) escreve que Esopo, defendendo em Samos um demagogo julgado por crime capital, contou que uma raposa, ao atravessar um rio, ficou presa numa ravina e foi coberta de pulgas. Um ouriço, com pena dela, ofereceu-se para tirá-las, mas a raposa recusou: aquelas já estavam fartas e sugavam pouco; outras, famintas, drenariam o que restava. Esopo aplica o caso aos samianos: o homem em julgamento já é rico e não fará mais mal; se o matarem, virão pobres que roubarão e gastarão o dinheiro público. Aristóteles dá a fábula como exemplo de argumento, ao lado da de Estesícoro sobre Falaris. (Aristóteles. The "Art" of Rhetoric (Retórica))
Fontes
- Heródoto. The Histories (Histórias), livro II (cap. 134-135). Trad. A. D. Godley. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1920-1925 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0016.tlg001.perseus-eng2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0016/tlg001/tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml Acessar
- Aristóteles. The "Art" of Rhetoric (Retórica), livro II, cap. 20 (1393b-1394a). Trad. John Henry Freese. Londres: William Heinemann; Cambridge, MA: Harvard University Press, 1926 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0086.tlg038.perseus-eng2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0086/tlg038/tlg0086.tlg038.perseus-eng2.xml Acessar
Na mesma região
- Safo de Lesbos: a poeta de Mitilene, o irmão Cárax e a ode a Afrodite que Dionísio de Halicarnasso copiou como modelo de estilo c. 630 – c. 570 a.C. (descrição do item no Wikidata); as fontes lidas não datam a vida dela
- Diolkos de Corinto: a passagem pelo istmo onde se arrastavam navios de um golfo ao outro, e o debate sobre a via pavimentada tradicionalmente c. 600 a.C. (Wikidata, séc. VI a.C.); data em debate. A fonte mais antiga lida é Tucídides, sobre a Guerra do Peloponeso (séc. V a.C.)
- Teano de Crotona: a pitagórica que Diógenes Laércio dá como esposa ou discípula de Pitágoras e autora de "algumas coisas" séc. VI a.C. (descrição do item no Wikidata, c. 600 – c. 500 a.C.); Diógenes Laércio não data a vida dela
- Reformas de Sólon em Atenas (início do séc. VI a.C.): a seisachtheia e o fim do empréstimo sobre o corpo da pessoa, nas palavras do próprio Sólon c. 590 a.C. (início do séc. VI a.C.). A tradição situa o arcontado de Sólon por volta de 594 a.C., mas os textos lidos não dão o ano em número e o item do Wikidata não tem data
- Túnel de Eupalino em Samos: o aqueduto aberto na rocha por duas equipes, um dos três grandes trabalhos dos samianos segundo Heródoto séc. VI a.C., no tempo do tirano Polícrates (570–522 a.C., segundo Apostol); o ano da obra não é dado pelas fontes lidas
- Batalha do mar Sardo ou de Alália (c. 540 a.C.): foceus contra etruscos e cartagineses c. 540 a.C. (segundo Alfonsi, 2024); Heródoto não dá o ano