Safo de Lesbos: a poeta de Mitilene, o irmão Cárax e a ode a Afrodite que Dionísio de Halicarnasso copiou como modelo de estilo
c. 630 – c. 570 a.C. (descrição do item no Wikidata); as fontes lidas não datam a vida dela · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Safo foi uma poeta lírica de Lesbos. Heródoto a chama de "a poeta" ao contar que seu irmão Cárax, de Mitilene, comprou a liberdade da escravizada Ródopis e foi atacado por ela num poema; Estrabão a conta entre os homens ilustres de Mitilene e diz que nenhuma mulher de que se tenha memória se comparava a ela em poesia. De sua própria voz restou, citada em grego por Dionísio de Halicarnasso como exemplo de composição polida, uma ode a Afrodite em que a poeta é chamada pelo próprio nome.
O irmão Cárax e a escravizada Ródopis
Heródoto (II.134-135) conta que Ródopis, de nascimento trácio, foi escravizada por Iadmon de Samos, trazida ao Egito por Xantes de Samos e libertada por Cárax de Mitilene, "filho de Escamandrônimo e irmão de Safo, a poeta". Depois de libertar Ródopis, diz o texto, Cárax voltou a Mitilene e "é duramente atacado por Safo num de seus poemas". É a menção mais antiga que o registro leu a ela, e vem por meio do irmão: o poema a que Heródoto alude não aparece na fonte lida. (Heródoto. The Histories (Histórias))
Mitilene e a mulher extraordinária
Estrabão (XIII.2.3), ao descrever Mitilene, a maior cidade de Lesbos, lista os homens ilustres que ela produziu: Pítaco, um dos Sete Sábios, e o poeta Alceu, com o irmão Antimênidas. "Contemporânea dessas pessoas", escreve, floresceu Safo, "uma mulher extraordinária", pois em nenhuma época de que haja memória se conheceu mulher que se pudesse comparar a ela em poesia. No mesmo parágrafo, a cidade aparece governada por muitos tiranos por causa das disputas entre cidadãos, tema dos poemas de Alceu; Pítaco é um deles e acaba por devolver a cidade à independência. (Estrabão. Geography (Geografia))
A ode a Afrodite
Dionísio de Halicarnasso (De compositione verborum, cap. 23) descreve a composição "polida e florida", que busca palavras suaves e encadeadas, e escolhe Safo como seu melhor exemplo entre os poetas líricos, seguida de Anacreonte e Simônides. Para ilustrá-la, copia uma ode, que começa invocando Afrodite, "de trono variegado", filha de Zeus, e pedindo que não a vença com dores. A deusa, lembrada vindo num carro puxado por pássaros ligeiros, pergunta quem fez mal à poeta, chamada "Psapfo", e promete que quem foge logo perseguirá e quem recusa presentes logo os dará. O último pedido é que a deusa seja sua aliada. (Dionísio de Halicarnasso. Περὶ συνθέσεως ὀνομάτων (De compositione verborum)
O salto de Léucade e outras tradições tardias
Estrabão (X.2.9) conta que, em Léucade, havia o costume de lançar do rochedo um condenado, com asas atadas ao corpo, para afastar o mal. Ele cita Menandro, segundo o qual Safo teria sido a primeira a saltar, perseguindo o orgulhoso Faon, mas acrescenta que "pessoas mais bem informadas sobre os relatos antigos" dizem que foi Céfalo. O registro leu a história como Estrabão a repete e não a trata como fato biográfico. (Estrabão. Geography (Geografia))
Fontes
- Heródoto. The Histories (Histórias), livro II (cap. 134-135). Trad. A. D. Godley. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1920-1925 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0016.tlg001.perseus-eng2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0016/tlg001/tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml Acessar
- Estrabão. Geography (Geografia), livros X (cap. 2, § 9), XIII (cap. 2, § 3) e XVII (cap. 1, § 33). Trad. Hans Claude Hamilton e William Falconer. Londres: Henry G. Bohn, 1854-1857. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0099.tlg001.perseus-eng4, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0099/tlg001/tlg0099.tlg001.perseus-eng4.xml Acessar
- Dionísio de Halicarnasso. Περὶ συνθέσεως ὀνομάτων (De compositione verborum, "Sobre a composição das palavras"), cap. 23. Ed. Hermann Usener e Ludwig Radermacher, Dionysii Halicarnasei Opuscula, vol. 2. Leipzig: Teubner, 1904. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0081.tlg012.perseus-grc2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0081/tlg012/tlg0081.tlg012.perseus-grc2.xml Acessar
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- Esopo: o contador de fábulas que Heródoto diz ter sido escravizado em Samos e que Aristóteles mostra defendendo um demagogo com uma fábula c. 620 – c. 564 a.C. (Wikidata); as fontes lidas não datam a vida dele
- Diolkos de Corinto: a passagem pelo istmo onde se arrastavam navios de um golfo ao outro, e o debate sobre a via pavimentada tradicionalmente c. 600 a.C. (Wikidata, séc. VI a.C.); data em debate. A fonte mais antiga lida é Tucídides, sobre a Guerra do Peloponeso (séc. V a.C.)
- Teano de Crotona: a pitagórica que Diógenes Laércio dá como esposa ou discípula de Pitágoras e autora de "algumas coisas" séc. VI a.C. (descrição do item no Wikidata, c. 600 – c. 500 a.C.); Diógenes Laércio não data a vida dela
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