Atlas da História

Disputa de Barcelona entre Nahmânides e Pablo Christiani (julho de 1263)

20 a 27 jul. 1263 (Wikidata P580 e P582; Tinson fala em quatro sessões, sem datas) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 1263, Jaime I de Aragão convocou o rabino Moisés ben Nahman (Nahmânides) para debater com o frade dominicano Pablo Christiani, judeu convertido, sobre o Messias, diante da corte em Barcelona. Há dois relatos, o hebraico do próprio Nahmânides (Sefer Vikuah) e um resumo latino anônimo; cada um mostra a vitória de um lado. A disputa foi uma das três grandes disputas organizadas da Idade Média, ao lado de Paris (1240) e Tortosa (1413-1414), em que o lado cristão fixava os termos e o debatedor cristão era um judeu convertido.

Quem estava na sala

Segundo Tinson, Nahmânides, nascido em Girona, era o líder intelectual judeu da Coroa de Aragão e escreveu sobre Bíblia, Talmude, halacá, cabala, filosofia e medicina. Foi chamado pelo rei Jaime I a debater com Pablo Christiani, antes um judeu muito instruído, que se converteu e entrou na ordem dominicana nos primeiros anos da década de 1250. A disputa teve quatro sessões diante do rei, da corte e de religiosos. Ramon de Penyafort, confessor dominicano do rei, esteve presente e foi peça-chave na organização. Os outros nomes citados são os franciscanos Peire de Gênova e Arnol de Segura e o juiz real Mestre Guilherme. (Tinson 2024)

O tema: o Messias e a autoridade da Agadá

Tinson descreve que Nahmânides e Frei Paulo concordaram em falar do Messias, de sua natureza e de ele já ter vindo na pessoa de Jesus. Christiani usou Gênesis 49:10 e uma interpretação agádica do Midrash sobre Lamentações (Ekha Rabbah). Nahmânides respondeu que não cria nessa Agadá, e o frade disse que ele "não acredita nos escritos dos judeus". O quanto isso comprometeu a posição de Nahmânides é discutido: Jeremy Cohen vê aí uma contradição com a visão que ele teria como cabalista; Marvin Fox considera simplista essa dedução; Yaakov Taubes lê a resposta como um meio de os judeus rejeitarem não o material usado pelos frades, mas a interpretação deles como argumento de conversão. (Tinson 2024)

Depois da disputa

Segundo Tinson, Nahmânides conta que Jaime I lhe deu 300 moedas de ouro e foi ao culto de sábado na sinagoga, e um documento da chancelaria real confirma a quantia. Em 1267, sem apoio do rei, os dominicanos recorreram ao papa Clemente IV, cujas cartas ao rei levaram à expulsão de Nahmânides de Aragão e Castela. Ele fugiu para Jerusalém e morreu em 1270, depois de assumir como rabino-chefe de Acre. Tinson lembra que a época é vista como "Era de Ouro" dos judeus de Aragão, mas que o rei os usava como moeda política com o papa e as ordens, e que a disputa foi seguida de ordem de expurgo do Talmude e de sermões forçados dominicanos. (Tinson 2024)

Fontes

  1. Tinson, Kate (2024). "1263: Nachmanides and the Disputation of Barcelona in Sefer Vikuaḥ". Transmediterranean History, 6.1. DOI 10.18148/tmh/2024.6.1.82. Texto bruto lido (PDF aberto), baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar

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