Atlas da História

Ramon Llull, leigo maiorquino, autor da Ars e de obras em catalão, árabe e latim, c. 1232–1316

c. 1232 (a SEP: nascido em Maiorca em 1232, "possivelmente 1233") a depois de março de 1316 (morreu aos 84 anos, em Maiorca, segundo a SEP). O Wikidata dá 1232 e 1316 sem dia · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo Ernesto Priani (SEP, 2025), Ramon Llull nasceu em Maiorca em 1232, possivelmente 1233, em família burguesa de Barcelona, e deixou mais de 200 obras em catalão, árabe e latim; está entre os primeiros autores a usar o vernáculo catalão para expor seu pensamento. Autor da Ars magna, um sistema combinatório lógico concebido para o diálogo entre religiões, viajou a Montpellier, Paris, Roma, Gênova e ao norte da África. Morreu em Maiorca, depois de março de 1316.

Família, conversão e estudo

Segundo Priani, Llull nasceu em Maiorca em 1232, possivelmente 1233, o único filho de uma família burguesa de Barcelona que financiou, com outros mercadores catalães, a conquista da ilha por Jaime I de Aragão em 1229 e recebeu terras em troca. Casou-se em 1257 com Blanca Picany e teve dois filhos. A Vita coaetanea conta que uma aparição de Cristo na cruz, repetida quatro vezes enquanto compunha uma canção a uma dama, o levou a deixar o mundo; Priani anota que não há testemunho de que as aparições ocorreram e que os documentos mostram vida familiar pelo menos mais uma década. Em 1276 a esposa obteve a administração legal dos bens da família. (Priani 2025)

Línguas, Randa e a Ars

Llull se propôs converter descrentes, escrever livros contra os erros dos "infiéis" e fundar mosteiros onde se ensinassem as línguas necessárias, e reconhecia que não sabia latim nem árabe. Pela Vita coaetanea, aprendeu árabe com um escravizado muçulmano; Priani cita Johnston (1996) para a possibilidade de que estudou latim com tutores e frequentou aulas das ordens mendicantes na ilha, e diz que ele não parece ter recebido educação formal. Depois de um retiro em Puig de Randa, concebeu o método chamado Ars e escreveu na abadia cisterciense de La Real a primeira versão, a Ars compendiosa inveniendi veritatem. (Priani 2025)

Miramar, Paris e Montpellier

Entre 1274 e 1275 o príncipe Jaime II de Maiorca o chamou a Montpellier, onde Llull sugeriu a fundação de um mosteiro em Miramar para ensinar línguas, sobretudo árabe, a missionários; a Coroa financiou e treze frades franciscanos o ocupariam, com confirmação papal em 17 de outubro de 1276. Jaime II fechou o mosteiro em janeiro de 1292. Em Paris, de fins de 1287 a 1289, Llull firmou amizade com Pedro de Limoges e Tomás Le Myésier, que seria seu principal discípulo, e revisou a Ars à luz das dificuldades surgidas nas conferências públicas. De volta a Montpellier, escreveu uma versão mais simples, a Ars inventiva veritatis. (Priani 2025)

África, prisão e Concílio de Vienne

Priani narra que, em 1292–1293, Llull teve uma crise ao preparar a viagem a Tunes, a que primeiro não embarcou; chegou por volta de setembro de 1293, tentou dialogar com os círculos intelectuais, foi preso e expulso para Nápoles. Anos depois, em Béjaïa, discursou na praça, foi preso por cerca de seis meses, visitado por sábios que tentaram convertê-lo ao islã, e expulso. Em 1311 enviou ao Concílio de Vienne petições, entre elas escolas de hebraico, árabe e caldeu, que o verbete chama o objetivo principal de seu projeto. Em 1313 foi à Sicília e a Tunes pela última vez e voltou a Maiorca, onde morreu. (Priani 2025)

Fontes

  1. Priani, Ernesto (2025). "Ramon Llull". Stanford Encyclopedia of Philosophy, primeira publicação em 10 fev. 2017, revisão substantiva em 24 fev. 2025. https://plato.stanford.edu/entries/llull/ (baixado em 30/10/2026; seção 1 "Life and his philosophical and religious project", subseções 1.1 a 1.6, e a introdução). Acessar

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