Erupção do Vesúvio de 79
79 d.C. (dia e mês em debate: 24 ago., 24 out. ou 23 nov. no Wikidata) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Erupção que soterrou as cidades romanas de Pompeia e Herculano e a área de Torre Annunziata. Os sítios arqueológicos preservados são uma fonte excepcional sobre a vida urbana romana.
Cinzas em Pompeia, fluxos piroclásticos em Herculano
A ficha da UNESCO distingue o modo como cada cidade foi soterrada: Pompeia ficou sob uma camada espessa de cinzas e lapilli, enquanto Herculano desapareceu sob ondas e fluxos piroclásticos. A diferença explica estados de conservação distintos. Em Herculano, o material piroclástico preservou andares superiores e, com as altas temperaturas, carbonizou matéria orgânica, como alimentos, elementos de arquitetura e móveis de madeira. Pompeia, cidade comercial, tem 44 ha escavados, com o fórum ladeado pelo Capitólio, pela Basílica e por templos, além de várias termas, dois teatros e um anfiteatro. Herculano, menor, conserva uma palestra, duas termas, o colégio dos sacerdotes de Augusto, um teatro e lojas ainda com grandes jarros de vinho. (UNESCO, lista nº 829)
Túneis do Grand Tour e moldes de gesso
As cidades vêm sendo escavadas e abertas ao público desde meados do séc. XVIII. Em Herculano, grandes partes da cidade antiga continuam sob a cidade moderna e só foram exploradas por túneis do séc. XVIII, que atraíram os viajantes do Grand Tour e ainda hoje dão acesso ao teatro subterrâneo. Os restos humanos de quem morreu na erupção são outra fonte importante: segundo a UNESCO, Pompeia foi palco de um experimento arqueológico pioneiro, em que se despejou gesso nos vazios deixados no material vulcânico para obter moldes. As casas mostram a evolução da moradia romana, da casa de átrio voltada para dentro, como a Casa do Cirurgião, às mansões ricamente decoradas, como a Casa do Fauno e a dos Amantes Castos. (UNESCO, lista nº 829)
Vilas, grafites e papiros: as vozes da região
A Vila dos Mistérios, junto às muralhas de Pompeia, cresceu a partir de uma casa modesta do séc. III a.C. e tem no triclínio pinturas de ritos de iniciação do culto de Dioniso. Em Torre Annunziata, a vila A, dita de Popeia, residência à beira-mar de meados do séc. I a.C., estava em reforma no momento da erupção; a vila B, de Lucius Crassius Tertius, armazenava ânforas e comerciava produtos locais, sobretudo vinho. Reparos feitos após os abalos sísmicos anteriores a 79 mostram, para a UNESCO, uma comunidade que convivia com mudanças. Os muros de Pompeia guardam slogans de uma eleição iminente; em Herculano sobreviveram centenas de tabuinhas de cera, algumas com documentos jurídicos, e mais de 1.800 rolos de papiro com filosofia grega, na Vila dos Papiros. (UNESCO, lista nº 829)
Agosto ou outubro? A data em discussão
A data clássica de 24 de agosto vem do relato de Plínio, o Jovem, mas, segundo D'Auria, De Micco e Di Pasquale (2021), da Universidade de Nápoles Federico II, alguns estudiosos propõem 24 de outubro de 79, e a discrepância se deveria provavelmente a um erro na transcrição medieval do texto. Os autores buscam a resposta nos restos de videira conservados pelo calor da erupção. A ideia é medir quanto do anel anual da madeira já tinha se formado e como variavam os vasos condutores no último incremento, em amostras de Herculano e em gavinhas e folhas com sinais de poda de Oplontis, em Torre Annunziata, para estimar a fase da planta no momento da erupção. O resumo apresenta o trabalho como prova de conceito e não anuncia uma conclusão. (D'Auria et al. 2021)
Uma erupção pliniana revista por várias ciências
Doronzo et al. (2022), pesquisadores do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália e da Universidade de Pisa, fizeram uma revisão completa da erupção pliniana de 79, integrando estudos históricos, estratigráficos, sedimentológicos, petrológicos, geofísicos, paleoclimáticos e de modelagem a dados novos. Acompanharam o processo da câmara magmática às cinzas mais distantes, com depósitos registrados desde as proximidades do vulcão até pontos muito afastados no Mediterrâneo, e reuniram esses achados numa base de dados. Para os autores, embora seja uma das erupções mais estudadas da vulcanologia, há questões em aberto, como a relação entre o impacto ambiental regional e o impacto local das correntes piroclásticas, e erupções desse tipo podem ter efeitos maiores do que se pensava. (Doronzo et al. 2022)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Archaeological Areas of Pompei, Herculaneum and Torre Annunziata", lista nº 829. https://whc.unesco.org/en/list/829/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
- D'Auria, A.; De Micco, V.; Di Pasquale, G. (2021). "The enigma on the date of the 79 AD Vesuvius eruption: lesson from grape archaeobotanical remains". EGU General Assembly 2021 (resumo de congresso). DOI 10.5194/egusphere-egu21-16222. Acessar
- Wikidata Q2411998 (P585 com três valores: 24 ago., 24 out. e 23 nov. de 79); consultado via API em out. 2026
- Doronzo, D. M.; Di Vito, M. A.; Arienzo, I.; Bini, M. et al. (2022). "The 79 CE eruption of Vesuvius: A lesson from the past and the need of a multidisciplinary approach for developments in volcanology". Earth-Science Reviews 231: 104072. DOI 10.1016/j.earscirev.2022.104072. Acessar
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