Batalha de Vercelas (101 a.C.): o fim dos cimbros e o suicídio de mulheres em torno das carroças
101 a.C., depois do solstício de verão (Plutarco: três dias antes da lua nova de Sextilis, o atual agosto) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 101 a.C., na planície de Vercelas, no norte da Itália, os exércitos de Caio Mário (32 mil homens, segundo Plutarco) e de Cátulo (20.300) derrotaram os cimbros, que haviam pedido terras para si e para os teutões. Segundo Plutarco, a vanguarda cimbra estava ligada por correntes passadas pelos cintos, as mulheres mataram os fugitivos e os próprios filhos antes de se matarem junto às carroças, mais de 60 mil foram capturados e os mortos teriam sido o dobro, cerca de 120 mil, segundo se dizia. Plutarco não dá perdas romanas e não diz o que aconteceu com os capturados.
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O pedido de terras e o desafio
Segundo Plutarco, depois de uma vitória anterior sobre os teutões, Mário foi chamado a Roma, mas recusou o triunfo e voltou a juntar-se a Cátulo, atravessando o Pó para impedir os cimbros de entrar na parte da Itália deste lado do rio. Os cimbros se recusaram a lutar, dizendo que esperavam os teutões; Plutarco diz que ou ignoravam a destruição deles, ou queriam parecer descrentes, e maltrataram quem trouxe a notícia. Mandaram então embaixadores pedir terras e cidades a Mário; a ironia dele sobre os "irmãos" teutões, mostrados em correntes, ocorre aí. O rei Boeorix foi depois ao acampamento, com poucos acompanhantes, desafiar Mário para um combate marcado. Mário disse que os romanos nunca deixavam o inimigo aconselhá-los sobre a batalha, mas aceitou: o dia seria o terceiro seguinte, o lugar a planície de Vercelas, boa para a cavalaria romana e com espaço para os cimbros se desdobrarem. (Plutarch)
Os dois exércitos e o dia da batalha
Plutarco diz que Cátulo tinha 20.300 soldados e Mário, 32 mil, divididos nas duas alas, com Cátulo no centro, como contou Sula, que lutou na batalha. A infantaria cimbra avançava devagar, com a profundidade igual à frente, cada lado da formação com 30 estádios; a cavalaria, de 15 mil, saía com elmos em forma de bocas de feras e plumas altas, couraças de ferro e escudos brancos, dois dardos por homem e grandes espadas pesadas. A batalha foi, pela conta romana, depois do solstício de verão, três dias antes da lua nova de Sextilis, o atual agosto. A poeira escondeu o inimigo dos romanos, que investiram homem a homem sem ver a massa à frente, e o calor castigou os cimbros, que suavam e seguravam os escudos diante do rosto. (Plutarch)
As carroças, as mulheres e os capturados
Os melhores e mais numerosos combatentes cimbros, diz Plutarco, foram mortos ali mesmo: os da frente estavam presos uns aos outros por longas correntes passadas pelos cintos, para manter a fileira. Os fugitivos recuaram até as trincheiras do acampamento, onde as mulheres, de preto, nas carroças, mataram os fugitivos, maridos, irmãos ou pais, estrangularam os filhos pequenos e os lançaram sob as rodas ou os cascos do gado, e depois se degolaram. Plutarco acrescenta uma mulher pendurada na ponta do timão da carroça, com um filho preso a cada tornozelo; e homens que, sem árvores, se prenderam pelo pescoço aos chifres e às pernas do gado e foram arrastados. Mesmo assim, mais de 60 mil foram capturados, e os caídos teriam sido o dobro. O despojo foi dos soldados de Mário. (Plutarch)
Fontes
- Plutarch, Life of Marius, caps. 24-27. Tradução inglesa de Bernadotte Perrin, Plutarch's Lives vol. 9 (Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: Heinemann, 1920), Perseus Digital Library. https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Plut.+Mar.+27 (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Caesar, C. Iulius, De Bello Gallico 7.77 (discurso de Critognato). Tradução inglesa de W. A. McDevitte, Project Gutenberg eBook #10657. https://www.gutenberg.org/ebooks/10657 (acesso em 30/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Lucrécio (Tito Lucrécio Caro), poeta latino do De rerum natura, sobre a física atomista de Epicuro, c. 95–55 a.C. nasceu em meados dos anos 90 a.C. e morreu em meados dos anos 50 a.C. (as fontes antigas divergem: nascimento entre 99 e 95 ou em 94 a.C.; morte entre 55 e 51 a.C.)
- Revolta de Espártaco (73–71 a.C.): escravizados e gladiadores contra Roma e os 6.000 crucificados 73 a 71 a.C. (datas do Wikidata; Apiano diz que a guerra durava três anos quando Crasso assumiu)
- Cerco de Numância (134–133 a.C.): a cidade celtibera cercada por Cipião Emiliano, segundo Apiano e Blázquez Martínez 134–133 a.C. (Wikidata P580 e P582); na tradução de Apiano por White, Cipião é eleito cônsul em 134 a.C. e o cerco e a rendição se dão em 133 a.C.
- Notas tironianas (notae): a taquigrafia latina atribuída a Tirão, liberto de Cícero, e o discurso de Catão anotado no Senado (63 a.C.) 5 de dezembro de 63 a.C., primeiro uso datado nas fontes lidas (o discurso de Catão contra Catilina foi taquigrafado); a invenção do sistema por Tirão não tem data no verbete
- Lívia Drusila, esposa de Augusto e mãe de Tibério, depois chamada Júlia Augusta, 58 a.C.–29 d.C. nasceu em 30 de janeiro de 58 a.C. (a Enciclopedia on line dá 58/57); morreu em 29 d.C., muito idosa
- Guerra Aqueia e destruição de Corinto (146 a.C.): o que contam Políbio, Pausânias e Estrabão 146 a.C. (Wikidata P585, sem mês); nas notas de margem de Shuckburgh a Políbio, a morte do estratego Crítolau é da primavera de 146 a.C. e o saque de Corinto, de setembro de 146 a.C.