Atlas da História

Obras hidráulicas e de pedra de Madinat al-Zahra (Córdoba, a partir de 936): aqueduto romano reaproveitado, esgoto e pedreiras locais

Obras iniciadas em 936 ou 940, segundo as fontes escritas, e continuadas até o fim do reinado de al-Hakam II (976); o registro começa em 936. Ano astronômico igual ao ano comum · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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A cidade-palácio de Madinat al-Zahra, perto de Córdoba, foi construída a partir de 936 ou 940 sob Abd al-Rahman III e seguiu em obras no califado de al-Hakam II. Segundo Antonio Vallejo Triano, o abastecimento de água reaproveitou o aqueduto romano Aqua Augusta, ao qual se somou um novo aqueduto-ponte, e o palácio tinha mais de 1.800 m de canalizações subterrâneas de esgoto. A pedra veio de pedreiras de calcarenito próximas, o que, para o autor, explica a rapidez das obras.

Pedra local e rapidez das obras

Segundo Vallejo Triano, a implantação da cidade reestruturou o território próximo, que passou a servir à nova urbe. A pedra básica da construção, calcarenito (calcário mioceno), saiu de pedreiras no contato entre a serra e o vale, como as de Santa Ana da Albaida, e outras rochas também tinham origem local, numa área de captação de recursos de cerca de 50 km em torno da cidade. O autor atribui a esse fato a extraordinária rapidez das obras. Ele acrescenta que se planejou uma rede viária para ligar a cidade a Córdoba, da qual restam ao menos duas pontes califais. (Vallejo Triano 2007)

Água, esgoto e banhos

Segundo o mesmo autor, o palácio, e não a cidade inteira, teve abastecimento permanente de água. Ela vinha das fontes da serra pela caixa do aqueduto romano Aqua Augusta, do século I, e a principal contribuição islâmica foi o novo aqueduto-ponte de Valdepuentes. Dentro do palácio, a água corria por tubos de chumbo e, em menor medida, por canos de barro; havia um circuito separado para as latrinas e dois banhos privados com vestiário, sala morna e sala quente. A rede de saneamento, com mais de 1.800 m de canais subterrâneos, levava as águas residuais aos arroios, e um trecho do aqueduto romano, de mais de 200 m, passou a servir de cloaca. Para o autor, essa infraestrutura não tem paralelo em outros grandes centros urbanos da época. (Vallejo Triano 2007)

Cronologia segundo as fontes escritas

De acordo com os textos citados por Vallejo Triano, as obras começaram em 936 ou 940; a mesquita principal teria ficado pronta em 941, o califa já residiria na cidade em 945 e, em 947, a casa da moeda foi transferida de Córdoba, o que a numismática confirma, pois as primeiras cunhagens da nova cidade são desse ano. As fontes dizem ainda que a construção ocupou os últimos 25 anos de Abd al-Rahman III e todo o califado de al-Hakam II, até 976. O autor nota que algumas dessas datas contradizem os dados arqueológicos. (Vallejo Triano 2007)

Fontes

  1. Vallejo Triano, Antonio (2007). "Madinat al-Zahra. Notas sobre la planificación y transformación del palacio". Artigrama, n.º 22, 2007, pp. 73–101. https://papiro.unizar.es/ojs/index.php/artigrama/article/download/7893/6596/28081 . PDF lido em texto bruto em 30/10/2026; o autor se identifica no texto como diretor do Conjunto Arqueológico de Madinat al-Zahra. Acessar

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