Zenóbia de Palmira
século III – depois de 274 (Breytenbach 2012; Andrade 2018) · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Rainha de Palmira, Zenóbia governou o Oriente romano entre 268 e 272 como regente do filho Vaballathus, depois da morte do marido Odaenathus. Seu poder chegou ao Egito e à Anatólia, até Aurelian derrotá-la perto de Antioquia e Emesa e capturá-la. As fontes antigas sobre ela, em geral escritas por romanos, são escassas e tendenciosas.
Palmira e a ascensão ao poder
Breytenbach (2012) descreve Palmira como cidade-oásis na fronteira entre a Síria e a Mesopotâmia, rica pelas tarifas sobre o comércio de caravanas e usada por Roma como baluarte no Oriente. O marido de Zenobia, Odaenathus, governava a cidade como rei cliente de Roma e foi assassinado em Emesa, em 267, por um primo; depois disso ela passou a governar como regente do filho Vaballathus. Andrade (2018) data o governo dela de 268 a 272 e a apresenta como a palmirena mais famosa, num contexto em que as fontes sobre sua vida são escassas. (Breytenbach 2012; Andrade 2018)
Expansão e legitimação
Segundo Breytenbach (2012), Zenobia expandiu o domínio para o Egito, onde enviou o general Zabdas, e para a Anatólia, até Ancira, e cunhou moedas em Alexandria e na Síria com Vaballathus e Aurelian. Ela reivindicava descendência dos Ptolomeus e dos selêucidas, afirmação que a Historia Augusta chama de pretensão e que Breton, citado pela autora, vê como provável origem numa família palmirena importante. A corte reunia intelectuais, como Cássio Longino, que Aurelian teria executado depois da queda. (Breytenbach 2012)
A guerra com Aurelian
De acordo com Breytenbach (2012), Aurelian, supostamente, partiu de Roma em 271 e levou cerca de quatro meses para alcançar Antioquia. Citando Zósimo, ela narra a vitória romana por meio de uma retirada simulada da cavalaria perto do rio Orontes, a fuga de Zenobia e Zabdas para Emesa, nova derrota, o cerco a Palmira e a captura da rainha no Eufrates. Ela e os conselheiros foram levados a Emesa para julgamento; o autor da Historia Augusta diz que Aurelian poupou a mulher para exibi-la no triunfo. (Breytenbach 2012)
Memória e fontes
Breytenbach (2012) observa que, segundo a tradição, Zenobia viveu depois em Tibur, perto da vila de Adriano, e que a Historia Augusta, citando Drinkwater, tem poucas afirmações que possam ser tidas como verdadeiras. Steyn (2018) pergunta se é possível reconstruir figuras marginalizadas a partir de textos que as retratam com desconforto e, muitas vezes, de modo deliberado. Breytenbach acrescenta que Zenobia permanece lembrada como heroína síria e aparece em cédulas do país. Andrade (2018) discute também o legado dela diante da tragédia atual da Síria. (Breytenbach 2012; Steyn 2018; Andrade 2018)
Fontes
- Breytenbach, M. M. (2012). "A Queen for All Seasons: Zenobia of Palmyra". Akroterion 50. DOI 10.7445/50-0-76. Acessar
- Andrade, N. J. (2018). Zenobia: Shooting Star of Palmyra. Oxford University Press. DOI 10.1093/oso/9780190638818.001.0001; ISBN 9780190638818. Acessar
- Steyn, M. (2018). "Zenobia of Palmyra: Reality or Legend?". Journal for Semitics 26(2): 717–744. DOI 10.25159/1013-8471/2442. Acessar
Na mesma região
- Império de Palmira (Zenóbia) 270–273 (Wikidata); governo de Zenóbia 268–272 (Andrade 2018)
- Diatessarão de Taciano (c. 172): a harmonia dos quatro evangelhos que se tornou o evangelho da Igreja siríaca c. 172 d.C. (pouco depois de 172, segundo Petersen, a partir da data que Eusébio dá para a expulsão de Taciano da comunidade de Roma)
- Mitreu de Dura-Europos (c. 168): santuário de Mitra construído acima do solo por arqueiros palmirenos c. 168–169 d.C. A inscrição de dedicação do santuário é de cerca de 168–169, segundo o Yale; o relevo de culto traz o mês de Adar do ano 480, convertido pelo museu em 168
- Guerra romano-parta de Lúcio Vero: Avídio Cássio em Selêucia e Ctesifonte e a origem da peste antonina (161–166) 161 a 166 (Wikidata); Selêucia tomada no fim de 165, segundo Kalaycı
- Revolta de Bar Kokhba na Judeia: as cartas do deserto, o cerco de Bethar e a fundação de Aelia (132–136) 132 a c. 136 (Wikidata: 132–136; Eusebio diz que a guerra foi mais feroz no 18º ano de Adriano, em Bethar)
- Campanha de Trajano contra os partas: a Armênia, a Mesopotâmia e Ctesifonte (114–117) primavera de 114 (ofensiva na Armênia) a 117; Ctesifonte tomada em 116 (maio–junho, segundo Kalaycı). O Wikidata dá 115–117 e o rótulo em português diz 113–117